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Google dies, Twitter dies, the self must also die

2012-03-01 20:44 -0300. Tags: comp, web, privacy

"Die, Twitter! You don't belong in this world."

"It was not by my hands that I'm once again given cash. I was brought here by humans, who want to pay me tribute."

"Tribute? You steal men's tweets, and sell them to your knaves."

"Perhaps the same could be said of all social networks."

"Your words are as empty as your privacy policy. Mankind ill needs a network such as you."

"What is a profile? A miserable little pile of secrets? But that's enough talk. Have at you!"

— Twittlevania: Symphony of the Night

Há mais ou menos um mês o Google anunciou que mudaria sua política de privacidade. A nova política entrou em vigor hoje, e permite ao Google cruzar os dados de seus diversos serviços para melhor servi-lo. Acho mui nobre e respeitável eles terem avisado enfaticamente com um mês de antecedência das mudanças. Mas respeitável ou não, eu já estava há horas com vontade de abandonar o Google, e esse foi o último empurrãozinho que me faltava. Nunca usei o GMail, pela questão da privacidade, então não tinha muito a perder. Matei minha Google Account no final do dia 28 de fevereiro (afinal, eles não explicitaram a partir de 1º de março de qual fuso-horário a política nova entra em vigor).

Na iminência de perder o orkut, e na necessidade de suprir minha compulsão de compartilhar links que ninguém lê, resolvi criar uma conta no Twitter no final de janeiro. Depois de observar alguns bots dando "follow" no meu perfil, e depois de me dar conta de como é fácil fazer data mining no Twitter (ainda mais com as APIs que o Twitter fornece), protegi minha conta.

Estava muito feliz com o Twitter.

Ontem o Twitter vendeu o acesso a todos os tweets postados desde 2010 para duas empresas de pesquisa. A empresa britânica de data mining Datasift fornecerá acesso aos dados através de uma plataforma cloud-based, que dá acesso não apenas ao conteúdo dos tweets, mas também a dados computados a partir dos mesmos. "We enrich every Tweet, every social conversation with sentiment, social media influence, topic-analysis, and NLP. No-one offers more insights for Tweets."

A empresa alega que conversas privadas (para algum valor de "privado"; nada garante que a definição inclui tweets protegidos) e tweets excluídos não serão acessíveis pelo sistema (o que não quer dizer que a empresa não tenha acesso aos mesmos), mas não podemos ter certeza de nada. De fato, os termos de serviço e a política de privacidade do Twitter não dão qualquer garantia quanto à privacidade de tweets protegidos. Tudo o que elas dizem é que "What you say on Twitter may be viewed all around the world instantly. You are what you Tweet!".

Por essa razão, estou em vias de matar minha conta no Twitter. Se todos fizessem o mesmo com serviços que desrespeitam nossa privacidade, as empresas seriam obrigadas a respeitá-la, para não perder o lucro. Infelizmente, o mundo tende a preferir conveniência a privacidade. Um dia o mundo aprende. Ou não.

Comentários (3)

Tonatiuh, 2012-03-01 23:05:21 -0300

O mundo não aprenderá. A melhor forma de evitar tudo isso, sem ter de abandonar tudo de vez, seria utilizar os Twitter e coisas só pra mandar informações do tipo "Amanhã às 10?". Eles não teriam nenhum dado útil para coletar, a não ser que tivessem interesse em saber que horas tu vai sair de casa pra te seqüestrar. Ou pelo menos é o que eu acho...


Carol Nogueira, 2012-03-02 14:21:16 -0300

Cara, com todas essas discussões sobre privacidade, me pergunto: há alguma dessas informações que são colocadas na rede que você não gostaria que fosse divulgada? Se sim, então por que colocar na rede esses dados? O problema não são as redes sociais e nem mineração de dados. Acho que talvez o problema sejam os contratos. Se não concorda com o contrato, não há motivo para usar o serviço. Mas se está sendo "enganado", bom, aí é um problema... Usar teus dados sem a tua autorização e isso não estar discriminado no contrato, problemático. enfim... Não vejo motivo para "matar" as redes. Talvez isso pudesse ser uma motivação para criar um novo conceito de rede, mas o ponto é como manter essa rede, sem os ads.


Vítor De Araújo, 2012-03-02 15:02:42 -0300

Eu poderia ter conta no Facebook (por exemplo) e só postar informações que não me importo que essas empresas e o mundo tenham, como mil pessoas já me comentaram aqui e alhures. Não tenho conta no Facebook por protesto. Acho que esses serviços têm que respeitar a privacidade de seus usuários, ou morrer.

O problema não são os contratos. O problema é as pessoas aceitarem contratos que permitam esse tipo de coisa. Enquanto as empresas conseguirem 'get away with this', isso não vai mudar.

Não tenho problema algum com ads. Acho que ads são necessários para manter serviços gratuitos não movidos a doações. Mas "exibir ads relevantes" não justifica medidas intrusivas na privacidade do usuário. O Google não foi à falência com a política de privacidade antiga; esses serviços se viram muito bem sem acabar com a privacidade de seus usuários.

Quanto ao "por que colocar na rede?", estou colocando muitos desses dados na rede sob a premissa de que apenas algumas pessoas terão acesso aos mesmos. Mas ninguém garante que a Mjöllnirzinho Feliz Software Ltd. não vá pagar milhões, obter esses dados e fazer o que quiser com eles, com o meu suposto consentimento de ter aceitado um contrato. O ponto de matar as contas é dizer explicitamente: "Não estou aceitando este contrato."

A coisa fica pior: conversando com pessoas que têm conta no Gtalk através da minha conta no Jabber, o Google tem logs de todas as minhas conversas sem eu *nunca* ter aceitado contrato algum. Mas isso foge um pouco do escopo da discussão.


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